Dois dias de reunião magna eletiva, cinco candidatos à liderança até agora ocupada por Assunção Cristas. Começa este sábado, em Aveiro, o XXVIII Congresso do CDS-PP. Abel Matos Santos, João Almeida, Filipe Lobo d'Ávila, Carlos Meira e Francisco Rodrigues dos Santos são os nomes em contenda. Acompanhamos aqui os trabalhos ao minuto.
11h00 - Assunção Cristas em silêncio
A ainda líder do CDS-PP, chegou ao congresso apressada e sem levantar o véu do que vai dizer daqui a pouco aos delegados no seu discurso de despedida.
Aguerrida e combativa, sob a sua liderança, o partido conseguiu alguns dos melhores como dos piores resultados eleitorais.
10h30 - "Chicão" apela às bases
À entrada do Congresso o candidato oriundo da Juventude Popular sublinhou a necessidade do partido auscultar as bases
10h20 - João Almeida elege como adversário o PS
Rodeado dos autarcas de Aveiro, João Almeida chegou ao Congresso com vontade de lutar, se for atacado e considerando que isso será sinal de que a sua "uma candidatura forte"
"As disputas nos Congressos são normais", desvalorizou. "O importante é que na segunda-feira estejamos todos a remar para o mesmo lado e que os nossos confrontos e as nossas críticas sejam dirigidas a quem as merece, que é o partido socialista", acrescentou.
10h10 - Abel Matos Santos quer discutir o futuro
"O importante é discutir as ideias do que queremos para o futuro do partido", disse o líder da Tendência em Movimento, o primeiro dos cinco candidatos à liderança do CDS-PP a chegar ao Congresso.
Abel Matos Santos lembrou ainda a importãncia "do nosso CDS" para a democracia portuguesa.
"Este é o congresso decisivo", referiu.
10h00 - Um congresso para o CDS "dar a volta"
Foi o desejo de Cecília Meireles, atual líder parlamentar do partido e que já admitiu apoiar o colega de bancada, João Almeida.
Meireles disse aos jornalistas à entrada que espera um Congresso animado e marcado pelo debate em torno de ideias e não de ataques pessoais.
9h30 – Outrora diretas, agora Congresso eletivo
Tal como socialistas e social-democratas, os democratas-cristãos já escolheram a liderança por via de eleições diretas. Mas colocaram este processo de parte, privilegiando a fórmula de eleição em reunião magna.
No culminar dos dois dias do Congresso de Aveiro, este fim de semana, haverá um sucessor de Assunção Cristas – o rosto do pior score de sempre em legislativas, 4,3 por cento dos sufrágios, com a bancada parlamentar a emagrecer de 18 para cinco deputados.
Os candidatos são agora meia dezena: Abel Matos Santos, que encabeça a Tendência Esperança em Movimento, João Almeida, deputado e porta-voz do partido, Filipe Lobo d’Ávila, ex-deputado, da corrente Juntos pelo Futuro, Carlos Meira, ex-presidente da concelhia de Viana do Castelo, e Francisco Rodrigues dos Santos, atual número um da Juventude Popular.
Haverá 1160 delegados ao XXVIII Congresso. Ao abrigo do regulamento e dos estatutos do CDS-PP, não estão amarrados a qualquer das 15 moções de estratégia global: a somar às moções dos candidatos, há outras dez assinadas por militantes e dirigentes; Nuno Melo, eurodeputado, e o deputado à Assembleia da República Telmo Correia são os nomes de uma delas, que poderá ainda vir a produzir um sexto candidato.
Chegados ao dia da reunião magna, nenhum dos candidatos tornou público qualquer cálculo de apoios de delegados.
Espera-se que as moções sejam votadas já durante a madrugada de domingo. O vencedor apresentará uma lista candidata à Comissão Política Nacional e aos outros órgãos partidários.
As contas podem complicar-se. Ouvidos pela agência Lusa, nos últimos dias, dirigentes de diferentes candidaturas não excluíram a possibilidade de uma “aliança negativa” para derrubar, em congresso, o candidato mais votado – isto, claro, se o somatório dos votos obtidos for suficiente para tal.Entrevistado pela agência noticiosa, Carlos Meira disse-se disposto a partir para um acordo com Filipe Lobo d’Ávila e Francisco Rodrigues dos Santos, para assim travar João Almeida. Durante o debate transmitido na passada segunda-feira pela RTP3, o candidato de Viana do Castelo chegou invocou tal cenário, mas não colheu respostas claras por parte dos interlocutores.
Sérgio Vicente, Carlos Matias, Nuno Castro – RTPO adeus a Assunção Cristas
A anteceder o duelo estará a despedida de Assunção Cristas da liderança do partido, que ocupou desde 2016 e decidiu abandonar na noite das últimas eleições legislativas, quando o CDS-PP sofreu um corte profundo na sua representação parlamentar.
Cristas deverá permanecer como vereadora na Câmara Municipal de Lisboa, cargo que assumiu na esteira das eleições autárquicas de 2017. Processo, recorde-se, em que o CDS-PP superou o PSD.
Os perfis dos candidatos
Abel Matos Santos, de 46 anos, psicólogo, sexologista e psicoterapeuta no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é o rosto da Tendência Esperança em Movimento. Foi o primeiro a avançar com uma candidatura.
Matos Santos integra o Conselho Nacional e a Comissão Política Nacional do CDS-PP. Foi vice-presidente da concelhia de Lisboa do CDS-PP e esteve ao lado de Filipe Anacoreta Correia na corrente interna CDS Alternativa e Responsabilidade.
Propõe-se apresentar o CDS-PP como um partido de direita, “porque a direita não é nada que nos envergonhe”, e, quanto ao Chega, de André Ventura, classifica-o como “naturalmente um aliado”.
João Almeida, de 43 anos, jurista, foi presidente da Juventude Popular, secretário-geral e porta-voz do partido. É também deputado desde 2002. No Governo partilhado por PSD e CDS-PP, foi secretário de Estado da Administração Interna.
Como orientação para o CDS-PP, João Almeida defende a “matriz da democracia-cristã”, valorizando “as ideias conservadoras e liberais”.
“A alternativa à governação socialista deve ser promovida através de uma plataforma à direita que reúna várias forças, designadamente as tradicionais que governaram a última vez antes do PS governar, que é o PSD e o CDS”, propugna na sua moção.
Considera que “não faz sentido focar nos novos partidos aquilo que foi o resultado eleitoral do CDS, porque o CDS perdeu muito mais votos para a abstenção e para outros partidos do que propriamente para os dois que apareceram à direita”, referindo ao Chega e à Iniciativa Liberal.
Filipe Lobo d’Ávila, de 44 anos, advogado, começou o percurso no CDS em 1993, quando entrou para as fileiras da Juventude Centrista.
Foi diretor-geral do Ministério da Justiça entre 2002 e 2008. Ocupou assim o cargo sob três ministros do CDS-PP, do PSD e do PS. Por três vezes foi eleito para a Assembleia da República, em 2009, 2011 – neste ano é nomeado secretário de Estado da Administração Interna - e 2015.
Lobo d’Ávila considera necessário “um entendimento mínimo ao nível do centro-direita [com o PSD] para que esse projeto possa ser verdadeiramente mobilizador”. Considera também que o partido tem de assumir “claramente, sem vergonham que é de direita, de uma direita moderada e democrática”.
Relativamente às novas formações de direita com representação parlamentar, Filipe Lobo d’Ávila entende que o CDS-PP não deve enveredar pela cópia.
Carlos Meira tem 34 anos e empresário florestal e da construção civil. Milita desde os 19 anos no CDS-PP. Liderou a concelhia de Vina do Castelo e, em 2013, candidatou-se à autarquia desta cidade.
Meira é um crítico sonoro de Assunção Cristas. No Congresso realizado em março de 2018, em Lamego, chegou mesmo a acusá-la de “falta de respeito “ pela sua região, o Alto Minho.
Carlos Meira defende que o CDS-PP deve trilhar “o seu próprio caminho, deforma autónoma, ativa, serena, recompondo-se e reerguendo-se”. “Respeitamos igualmente todos os partidos do arco parlamentar”, responde, quando questionado sobre eventuais aproximações ou distanciamentos relativamente ao Chega e à Iniciativa Liberal.
Francisco Rodrigues dos Santos, de 31 anos, advogado, preside desde 2015 á Juventude Popular. Foi autarca na Assembleia de Freguesia de Carnide, em Lisboa, de 2013 a 2017.
Também Rodrigues dos Santos sustenta que, “aos olhos dos portugueses, a perceção é que o CDS é um partido de direita”: “Ponto final”.
Francisco Rodrigues dos Santos entende que é à direita que os eleitores do partido “têm morada”. Mas “é ao centro” que o CDS-PP se encontra com os seus adversários e pode “catapultar-se para novos horizontes eleitorais”. Não exclui um entendimento com o Chega, mas apenas se tal solução não se traduzir numa “violação das traves mestras nem das linhas vermelhas que são o ADN do partido”.
2020-01-25 10:46:00Z
https://news.google.com/__i/rss/rd/articles/CBMiX2h0dHBzOi8vd3d3LnJ0cC5wdC9ub3RpY2lhcy9wb2xpdGljYS9jZHMtcHAtZXNjb2xoZS11bS1kZS1jaW5jby1jYW5kaWRhdG9zLWEtbGlkZXJhbmNhX2UxMjAwMDIw0gEA?oc=5
No comments:
Post a Comment