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Thursday, January 2, 2020

Reaberta a urgência pediátrica do Hospital do Litoral Alentejano - RTP

Reaberta a urgência pediátrica do Hospital do Litoral Alentejano - RTP

“Nesta altura de festas, houve aqui um problema no preenchimento de escalas, tivemos dificuldade em preencher escalas para o atendimento de crianças, o que resultou de facto nesta questão de termos que encerrar, embora tenhamos outras urgências que não tiveram este constrangimento, em Alcácer e em Odemira e mesmo aqui ainda atendemos algumas crianças durante este período”, afirmou à repórter Paula Cardona o presidente do Conselho de Administração do Hospital do Litoral Alentejano. O serviço de urgência de pediatria encerrou às 8h00 do dia 31 de dezembro. Voltou a poder receber crianças a partir das 8h00 desta quinta-feira.

A falta de médicos esteve na base da decisão de encerramento. A maioria dos clínicos encontra-se em regime de prestação de serviços, alguns são estrangeiros e, nesta altura do ano, viajaram para os respetivos países de origem.

Questionado sobre a possibilidade de contratação de mais médicos, Luís Matias reconheceu que “a região, apesar de ser lindíssima, do ponto de vista turístico e também para se viver, tem demonstrado muita dificuldade na adesão de profissionais altamente qualificados, médicos e até outros profissionais, em fixarem-se nesta unidade”.

“É uma luta permanente que desenvolvemos, um trabalho permanente que desenvolvemos em tentar angariar recursos altamente qualificados, até termos algum conforto no mapa de pessoal da unidade local de saúde, não tem sido possível preencher”, adiantou o responsável, para acrescentar que o hospital “tem cerca de metade do quadro médico por preencher”.

“Não temos nenhum registo de problemas que tivessem acontecido. Durante o dia de ontem ainda vimos cá duas crianças, mesmo assim. A população estava avisada e de facto não acorreu cá. As poucas pessoas que vieram resolveram o problema de outra forma”, sublinhou.

À pergunta sobre uma eventual repetição do encerramento, num futuro próximo, Luís Matias afirmou que, “em princípio”, será possível manter o serviço aberto.

“É uma situação que não podemos nunca dizer que não acontece, mas em princípio temos algum planeamento prévio”, concluiu o administrador hospitalar.

Por sua vez, O Sindicato Independente dos Médicos, citado pela agência Lusa, considera que a urgência pediátrica no Hospital do Litoral Alentejano não reúne condições para funcionar, uma vez que o atendimento é garantido por médicos que não são da especialidade.

A estrutura sindical deixa críticas quer ao Ministério da Saúde, quer ao Conselho de Administração da unidade hospitalar, face à desigualdade do tratamento dado aos utentes daquela região.
“Urgência pediátrica funciona com médicos indiferenciados”
Também ouvida pela reportagem da RTP no local, a Comissão de Utentes do hospital começou por sublinhar que é “contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde e a favor do SNS universal, geral e gratuito”.

“Sobre o Hospital do Litoral Alentejano, de facto é verdade. A população tem vindo a aumentar. Somos cerca de 100 mil habitantes aqui nos cinco concelhos que compõem o litoral alentejano e os serviços aqui são precários”, explicou o porta-voz da Comissão de Utentes.

“Nós temos a urgência pediátrica que funciona com médicos indiferenciados, sem nenhuma especialidade, que atendem crianças e bebés, 24 sobre 24 horas, e que, com estas condições, é inadmissível. O Hospital abriu em 2004, desde 2004 que este problema se arrasta”, acentuou.

Quanto às dificuldades de contratação alegadas pelo Conselho de Administração, a Comissão de Utentes recomenda a este órgão e ao Ministério da Saúde que “olhem pelo litoral alentejano” e que “de facto ouças as propostas dos profissionais de saúde e dos utentes”.

“Por exemplo, assumir de novo o serviço médico à periferia, quando os médicos saem das universidades, terem carreiras dignas e justas, é inadmissível que a progressão nas carreiras esteja congelada há mais de dez anos para um médico, que vai para o privado ou emigra. E que haja condições profissionais para os diversos profissionais, quer médicos, quer enfermeiros, quer auxiliares, porque há uma grande falta nas mais diversas áreas”, rematou.

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2020-01-02 10:16:00Z
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