Quando o Pentágono confirmou a "ordem do Presidente" dos Estados Unidos para matar o comandante da forçar de elite iraniana Al-Quds, o governo iraniano condenou o ataque.
Entretanto, a nível internacional têm surgido várias reações ao ataque, que muitos descrevem como "perigoso".
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, oferecendo "sinceras condolências ao povo iraniano", declarou que o "assassínio" do general iraniano foi "um passo arriscado que levará ao aumento das tensões na região". A Rússia lembrou ainda que "Soleimani serviu fielmente os interesses do Irão".Em França surge o apelo à "estabilidade" no Médio Oriente, através de Amélie de Montchalin, secretária de Estado para os Assuntos Europeus, que afirmou à rádio RTL que estamos "num mundo mais perigoso" e que uma "escalada militar é sempre perigosa".
"Quando essas operações ocorrem, podemos ver claramente que a escalada está em andamento, quando queremos estabilidade e um decréscimo (da escalada) acima de tudo", sublinhou.
A China "há muito tempo que se opõe ao uso da força nas relações internacionais" e expressou "preocupação" depois do ataque em Bagdade.
Através do porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, pediu "a todas as partes envolvidas, especialmente aos Estados Unidos, que mantenham a calma e contenção para evitar nova escalada da tensão", assim como "respeito" pela soberania e integridade territorial do Iraque.
O primeiro-ministro demissionário iraquiano, Adel Abdelmahdi, condenou o ataque aéreo dos Estados Unidos, afirmando que este ataque é "uma escalada perigosa que desencadeia uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo".
"Operações de ajuste de contas contra figuras da liderança iraquiana em solo iraquiano são uma violação flagrante da soberania iraquiana e um ataque à dignidade do país", sublinhou.
Lamentando a morte do general, Adel Abdelmahdi lembrou que este ataque viola as condições e o papel das forças norte-americanas no Iraque e pediu, entrentanto, ao parlamento que convoque uma sessão extraordinária para "adotar medidas legislativas e disposições necessárias para salvaguardar a dignidade, segurança e soberania do Iraque".
O grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, também reagiu e definiu o assassínio do general iraquiano Qassem Soleimani como "um ataque injustificado".
Já o chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, prometeu "uma justa punição" aos "assassinos criminosos" pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.
Mohammad Javad Zarif, chefe da diplomacia do Irão advertiu que este ataque se trata de uma “escalada extremamente perigosa”.
"O ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos (...) é extremamente perigoso e uma escalada imprudente", escreveu no Twitter.The US' act of international terrorism, targeting & assassinating General Soleimani—THE most effective force fighting Daesh (ISIS), Al Nusrah, Al Qaeda et al—is extremely dangerous & a foolish escalation.
The US bears responsibility for all consequences of its rogue adventurism.
— Javad Zarif (@JZarif) January 3, 2020
Ali Khamenei, líder supremo do Irão, reagiu também declarando três dias de luto nacional e prometendo que a morte do general iraniano, considerado como "símbolo internacional de resistência", será vingada.
"O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires", afirmou Ali Khamenei, citado pela France-Presse (AFP).
Também o Presidente iraniano garantiu que o Irão e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.
The flag of General Soleimani in defense of the country's territorial integrity and the fight against terrorism and extremism in the region will be raised, and the path of resistance to US excesses will continue. The great nation of Iran will take revenge for this heinous crime.
— Hassan Rouhani (@HassanRouhani) January 3, 2020
Em comunicado, Hassan Rouhani, disse ainda que o "mártir" general Soleimani "deixou enlutado o coração da nação iraniana e de todas as nações da região".
O Parlamento do Iraque anunciou, entretanto, que vai realizar uma sessão de emergência no sábado para debater o ataque.
Hassan al-Kaabi, o vice-presidente do Parlamento iraquiano destacou estar "na hora de acabar com a imprudência e a ignorância dos EUA", acrescentando que a sessão de sábado será dedicada à toma de "decisões para pôr fim à presença dos EUA no Iraque".
No ataque aéro ao aeroporto internacional de Bagdad foi morto Qassem Soleimani e o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular.
C/ Lusa
2020-01-03 11:25:00Z
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