A candidatura de Tohti ao galardão, que distingue "uma contribuição excecional à luta pelos Direitos do Homem no mundo", foi sugerida ao Parlamento Europeu pelo grupo liberal Renew Europe (Renovar a Europa).
Membro da comunidade Uigure, de origem Turcomena, ILham Tohti é o primeiro muçulmano a receber o prémio Sakarov para a Liberdade de Pensamento.
Ilham Tothi já tinha sido nomeado para o Prémio Sakharov em 2016. Desta vez, a Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu - estrutura que junta o líder do PE e dos partidos políticos representados na assembleia europeia - decidiu pela atribuição do prémio ao economista.
O PE pede agora à China a libertação "imediata" de Tohti.
Ilham Tohti pertence à etnia uigure, maioritariamente muçulmana, e a população maioritária de Xinjiang, uma vasta região do nordeste da China, com uma longa história de contestação ao domínio de Pequim.
Durante anos, os atentados sucederam-se na província, atualmente dominada por um controle militar drástico.
Pequim considera Tohti, o académico uigure mais proeminente, um dos rostos dessa violência, que classifica de terrorismo.
Rosto da contestação
Nascido em 1969 em Artush, na província uigure de Xianjiang, Tohti tornou-se um defensor acérrimo da aplicação na região das leis de autonomia de 1948, criticando nomeadamente a entrada sistemática de trabalhadores migrantes em Xianjiang, enquanto as mulheres uigures migram para a China, para encontrar ttrabalho.
Em 2009, após a sublevação étnica uigure contra a etnia han em Urumqi, no mês de julho, foi detido pelas autoridades chinesas
pelas suas críticas às políticas governamentais e contra o governador da província pela inação na defesa dos uigures.Tothi foi depois libertado, apenas para voltar a ser detido em janeiro de 2014.Processo em 2014
Ilham Tohti sempre foi frontal nas críticas à política oficial
chinesa em Xinjiang. Foi novamente detido em 2014 por "suspeita de infringir a
lei".
As autoridades removeram vários computadores da residência de Tohti e detiveram-no num centro a milhares de quilómetros de Pequim, na Região Autónoma Uigure de Xinjiang.
No início do processo levantando contra o professor universitário, a sua mulher, Nu'er, afirmou à Agência Reuters não ter notícias do marido e estar sob prisão domiciliária, com única autorização de, sob vigilância apertada, levar e trazer os filhos à escola.
A Amnistia Internacional afirma que a equipa de defesa do professor universitário nunca teve acesso a provas que sustentassem as acusações, tendo sido impedida de contactar o seu clliente durante seis meses.
A organização condenou o processo como "uma afronta à Justiça".
No final de setembro de 2019, Ilham Tohti foi agraciado com o Prémio Václav-Havel, atribuído pelo Conselho da Europa - uma instituição diferente da União Europeia, encarregue de promover a democracia e os Direitos Humanos.
Na altura, a diplomacia chinesa reagiu com irritação, condenando a atribuição do Prémio.
"Brandindo o pretexto dos Direitos Humanos e da liberdade, [o Conselho da Europa] branqueia um separatista que apoia a violência e o terrorismo", criticou.
Pelos seus esforços, apesar das adversidades, Tothi recebeu em 2014 o
Prémio PEN/Barbara Goldsmith Liberdade de Escrita, e em 2016 o Prémio
Martin Ennals, galardões que também levaram a protestos por parte de Pequim.
Entre os restantes finalistas do Prémio Sakharov, incluíam-se duas jovens raparigas quenianas, que combatem a excisão, e três personalidades brasileiras que defendem as minorias e o ambiente, incluindo o chefe índio Raoni, conhecido pela defesa dos povos indígenas ameaçados pela deflorestação.
2019-10-24 11:35:00Z
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